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LITERATURA EM EXPANSÃO: TEORIA, CRÍTICA E COMPARATISMO NOS SÉCULOS XX E XXI

LITERATURA EM EXPANSÃO: TEORIA, CRÍTICA E COMPARATISMO NOS SÉCULOS XX E XXI

A coletânea cumpre exatamente o que seu título promete: oferecer ao leitor um panorama vibrante e multifacetado de como o fenômeno literário transcende suas fronteiras tradicionais, seja na forma, no meio ou no seu engajamento pedagógico e social. Organizado por Gabriel Felipe da Silva, este volume reúne sete capítulos que, em conjunto, desenham um mapa da literatura como um campo vivo, em constante diálogo com a contemporaneidade.

Os estudos aqui presentes demonstram uma saudável tensão entre a tradição e a ruptura. Por um lado, mergulhamos em análises críticas que revisitam o cânone, examinando a complexidade psicológica e a crítica social em autores fundamentais como Graciliano Ramos, em Análise interpretativa de Luís da Silva no romance Angústia , e Rubem Fonseca, em O paradoxo da conquista: análise da personagem principal do romance O Caso Morel. Ambos os capítulos dissecam a figura do narrador fragmentado e a representação da violência, elementos centrais da modernidade literária.

Por outro lado, a "expansão" se manifesta de forma contundente nos capítulos que exploram novos objetos e mídias. O estudo sobre As relações de intermidialidade sob a ótica da instaliteratura, de autoria de Nathália Santos, investiga como o Instagram se tornou um novo e legítimo espaço de produção, performance e crítica literária, redefinindo os papéis de autor e leitor.

Essa abertura para o que está à margem do cânone tradicional se aprofunda em análises que utilizam o comparatismo e a teoria crítica para validar formas culturais marginalizadas. O capítulo Lança a braba: um estudo sobre o funk articula literatura, antropologia e análise cultural para discutir o funk carioca como um fenômeno estético e econômico, muitas vezes alvo de preconceito. Na mesma esteira, o capítulo Rogério Skylab: um reflexo da contemporaneidade? mobiliza um denso arcabouço filosófico para analisar a obra do artista como uma expressão radical da crise de sentido contemporânea.

A literatura também é aqui tratada como uma poderosa ferramenta de engajamento social e denúncia. O capítulo Violência doméstica em Totonya, de Rosária da Silva nos desloca para o contexto angolano, demonstrando como a narrativa ficcional serve para expor as dinâmicas de poder e as desigualdades de gênero.

Finalmente, a coletânea dedica uma atenção especial à ponte entre a teoria literária e a sala de aula, provando que a "expansão" deve, mormente, ser pedagógica. O capítulo Ensino de literatura na educação básica sugere o uso de narrativas autobiográficas de mulheres em guerras para fomentar o letramento literário e a reflexão humanística. Assim, ele oferece propostas práticas e reflexivas para o ensino básico.

O que o leitor tem em mãos não é, portanto, uma série de ensaios isolados, mas um mosaico coeso. Cada capítulo, à sua maneira, reafirma que a literatura não é um objeto estático, mas uma prática em expansão, capaz de se reinventar em novas mídias, abraçar novas vozes e transformar realidades.

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